Sagrado, de Palavrantiga

Fazia bastante tempo que eu não postava dica cultural, não é? Então aqui está uma incrível!
Primeiro porque a banda (Palavrantiga) é genial; segundo porque a letra reflete perfeitamente a situação da religião no Brasil e no mundo.

Confira a letra e a música abaixo:

É que o sagrado se tornou hilário
Ascendeu em abril
Se espatifou em maio
E o que é que ficou?
Ficou o riso amarelo

E agora tanto faz o que é sagrado
Nada importa se isso tudo não for antes santificado
Bem no interior do meu peito deserto

Estou tentando ser bem honesto
To dizendo tudo o que eu penso
Tão sabendo que eu te peço Deus

Venha o Teu reino
Bem dentro e lá fora
A Tua vontade
Pra sempre e agora
Pois tenho fome
Do pão desse dia
Daquilo que é só Teu

Ouça minha oração
Que se fez cantiga
Canção pra acordar
Se Deus aceitar cantiga
Minha oração, Deus, não perderá jamais

Letra retirada de Vagalume.

“Sucrilhos”, por Criolo

Para mudar um pouco a programação do blog, quero deixar hoje uma excelente dica musical. Trata-se de Criolo, um dos meus rappers brasileiros favoritos, com letras geniais que combatem o racismo e também outros tipos de desigualdade social. Vale muito a pena conferir!

Site do cantor

Crimes, Ignorância e um Paradoxo

O futuro do Brasil é incerto, aliás tudo relacionado ao futuro é incerto, mas eu ainda me deparo com coisas que me surpreendem. É aquela história: quando você acha que já viu tudo, aparece algo diferente.

Vejo ações desumanas, como um motorista atropelar um ciclista e jogar o braço no rio. Vejo ignorância, pessoas falando de algo que não entendem como se fossem p.h.D. (se ao menos soubessem o que isso significa). Vejo indignação e passividade, o que é um paradoxo.

É difícil entender tudo isso e eu nem tenho capacidade para faze-lo. Afinal, não sou nenhum pesquisador e o objetivo deste blog não é ser algo muito cientifico, mas desconfio de algumas coisas e quero falar um pouco delas neste post.

O que leva as pessoas a cometerem crimes?

Há quem diga que a resposta a esta questão seja diferenças no cérebro.

Se fosse só isso, não poderíamos fazer muita coisa, porém existe também a construção social por trás disso tudo. Muitos crimes acontecem por causa de traumas, que são culpa da sociedade (preconceito contra gordinhos, por exemplo).
Muitas pessoas roubam por não terem condições financeiras de se alimentar e a cultura da violência também pode levar ao crime, como alguns dizem que ocorre nos EUA.

Por que as pessoas falam sobre o que não sabem?

O ser humano quer sempre ser superior, e dói nele saber que ele é um nada. Por isso muitas pessoas falam de política sem entender, para fingirem que são “cultos”, que estudam e leem (vale lembrar que não existe “mais culto”, todos têm cultura, porém a cultura difere).

Pode ser também que as pessoas o fazem por acharem que sabem. Algumas pessoas acham que se ler Veja (meus pêsames para você se você lê), vai saber de tudo sobre política, mas não é bem assim. Nem mesmo pessoas que estudam e fazem pesquisas há 30 anos sabem de tudo.

Indignação e passividade

Todo mundo acha um absurdo o Renan Calheiros ter sido eleito, há um tempo, presidente do Senado, mas quase ninguém protesta. Todo mundo acha um absurdo a tarifa de ônibus, mas quase ninguém protesta. Por que isso?
Como eu costumo dizer, as pessoas vivem em uma equação:

Vontade > Medo/Conforto = Ação
Vontade < Medo/Conforto = Passividade

Ou seja, quando a nossa vontade de ver e ser a mudança for maior que o nosso medo ou o nosso conforto, iremos fazer algo. É sempre assim em todas as áreas da nossa vida.

Infelizmente, a vontade e indignação do povo ainda não superou o conforto dele de ficar em casa. A população ainda acha que vale mais a pena ser controlado pela mídia horrenda a sair pelas ruas para mudar alguma coisa.
Cabe a nós ficar ciente e conscientizar os outros de que o conforto pode gerar dor no futuro, de que mesmo que sejamos da classe média, ou da alta, há gente sem uma habitação decente. Devemos ficar cientes de que enquanto estamos parados, alguém está se mexendo em nosso lugar.

O Massacre de Canudos

Por volta de 1893, no arraial de Canudos, no interior da Bahia, reuniu-se um grupo de fieis seguidores do beato Antônio Conselheiro, que pregava salvação e dias melhores para quem o seguisse. Conselheiro, assim como outros beatos e pregadores se contrapunham ao movimento católico tradicional, por isso não eram bem vistos pela Igreja Católica. Esses movimentos populares eram uma forma de contestar e lutar contra a miséria e a fome.
Em 1896 o arraial já possuía cerca de 15 mil sertanejos que viviam de modo comunitário. Sobreviviam com a criação de animais e plantações.
Tudo era dividido entre os habitantes e o que sobrava era vendido para cidades vizinhas. Dessa forma, conseguiam obter produtos não produzidos no arraial. Para se protegerem, organizaram um grupo armado. E assim, em poucos anos, o arraial de Canudos se firmou como um contestado, passando a reunir cada vez mais sertanejos que lutavam para mudar sua condição de vida fugindo da miséria e dominação dos grandes latifundiários.
O crescimento rápido da comunidade de Canudos passou a incomodar os coronéis locais e a Igreja Católica. Os latifundiários perdiam mão de obra e a Igreja perdia seus adeptos. O arraial passou a ser alvo de inúmeras críticas.
A camada mais baixa da população era (e ainda é) constituída em sua maioria pelos negros. E a comunidade de Canudos, os sertanejos, também faziam parte dessa camada. Por isso grande parte dessa comunidade era constituída de negros.
O famoso escritor Euclides da Cunha, que acompanhou o conflito armado na condição de jornalista, como correspondente de “O Estado de São Paulo”, retratou o episódio em sua obra “Os Sertões”. Nela, ele critica o massacre dos sertanejos de Canudos e retrata eles como bravos heróis que lutaram até o fim.
Canudos tem muito a ver com o Brasil atual, basta ver a exploração do sertanejo, a miséria e a fome que passam, a opressão, etc. Isso continua até hoje.
A “grande máquina”, mostra a existência de “dois brasis”, um da parte mais rica, composto pelo litoral e capitais e outro da parte mais pobre, o interior, que não tem acesso à informação. A parte mais rica é principalmente composta por europeus e descendentes deles, enquanto o povo daqui, os índios (assim como os negros, que foram criminalizados) constituíam a parte mais pobre. Outra coisa mostrada pela “grande máquina” é que a tecnologia não é a salvação do mundo, como foi visto na Segunda Guerra Mundial, que ela pode ser também a destruição do mundo.

Trabalho realizado para a disciplina de Sociologia na Etec Bento Quirino. Professor: Ricardo Festi.