Pensar é de graça?

Começo mais um post com aquela clássica referência a um ditado e, pelo nome do post, vocês já devem saber qual é.

É muito comum ouvir as pessoas dizerem: “pense porque ainda é de graça.” E hoje quero refletir um pouquinho com vocês sobre essa afirmação.
Em primeiro lugar, ela diz que no futuro pensar não será de graça. Mas como alguém poderia nos impedir de pensar?

Isso me soa como ficção científica, aquela coisa de controle mental e etc. Sou um grande fã de ficção científica, não me entendam mal, mas para a humanidade chegar a um ponto em que precise de autorização para pensar, ela deverá deixar de lado grande parte de suas riquezas.
Em segundo lugar, eu gostaria de olhar pelo outro lado disso tudo. É realmente de graça pensar?

Preço dos livros

Sempre que eu vejo o preço de um ingresso do cinema, o preço de um livro, de um CD ou DVD, eu penso que, de certa forma, pensar não é de graça. É claro que você pode (e deve) pensar além de filmes e livros, mas eles são uma excelente base teórica e prática para o conhecimento.

Olhem o quanto a literatura de hoje é influenciada pela clássica, o mesmo com o cinema e com a música.
Reforçando o que eu já disse, é sim possível pensar e ser sábio sem ter acesso aos meios de informação, mas eles ajudam de uma forma incrível.

Ah! E por favor, não gastem todo o dinheiro de vocês com filmes de Hollywood e livros à la Crepúsculo.

Livro Novo

“Sucrilhos”, por Criolo

Para mudar um pouco a programação do blog, quero deixar hoje uma excelente dica musical. Trata-se de Criolo, um dos meus rappers brasileiros favoritos, com letras geniais que combatem o racismo e também outros tipos de desigualdade social. Vale muito a pena conferir!

Site do cantor

Crimes, Ignorância e um Paradoxo

O futuro do Brasil é incerto, aliás tudo relacionado ao futuro é incerto, mas eu ainda me deparo com coisas que me surpreendem. É aquela história: quando você acha que já viu tudo, aparece algo diferente.

Vejo ações desumanas, como um motorista atropelar um ciclista e jogar o braço no rio. Vejo ignorância, pessoas falando de algo que não entendem como se fossem p.h.D. (se ao menos soubessem o que isso significa). Vejo indignação e passividade, o que é um paradoxo.

É difícil entender tudo isso e eu nem tenho capacidade para faze-lo. Afinal, não sou nenhum pesquisador e o objetivo deste blog não é ser algo muito cientifico, mas desconfio de algumas coisas e quero falar um pouco delas neste post.

O que leva as pessoas a cometerem crimes?

Há quem diga que a resposta a esta questão seja diferenças no cérebro.

Se fosse só isso, não poderíamos fazer muita coisa, porém existe também a construção social por trás disso tudo. Muitos crimes acontecem por causa de traumas, que são culpa da sociedade (preconceito contra gordinhos, por exemplo).
Muitas pessoas roubam por não terem condições financeiras de se alimentar e a cultura da violência também pode levar ao crime, como alguns dizem que ocorre nos EUA.

Por que as pessoas falam sobre o que não sabem?

O ser humano quer sempre ser superior, e dói nele saber que ele é um nada. Por isso muitas pessoas falam de política sem entender, para fingirem que são “cultos”, que estudam e leem (vale lembrar que não existe “mais culto”, todos têm cultura, porém a cultura difere).

Pode ser também que as pessoas o fazem por acharem que sabem. Algumas pessoas acham que se ler Veja (meus pêsames para você se você lê), vai saber de tudo sobre política, mas não é bem assim. Nem mesmo pessoas que estudam e fazem pesquisas há 30 anos sabem de tudo.

Indignação e passividade

Todo mundo acha um absurdo o Renan Calheiros ter sido eleito, há um tempo, presidente do Senado, mas quase ninguém protesta. Todo mundo acha um absurdo a tarifa de ônibus, mas quase ninguém protesta. Por que isso?
Como eu costumo dizer, as pessoas vivem em uma equação:

Vontade > Medo/Conforto = Ação
Vontade < Medo/Conforto = Passividade

Ou seja, quando a nossa vontade de ver e ser a mudança for maior que o nosso medo ou o nosso conforto, iremos fazer algo. É sempre assim em todas as áreas da nossa vida.

Infelizmente, a vontade e indignação do povo ainda não superou o conforto dele de ficar em casa. A população ainda acha que vale mais a pena ser controlado pela mídia horrenda a sair pelas ruas para mudar alguma coisa.
Cabe a nós ficar ciente e conscientizar os outros de que o conforto pode gerar dor no futuro, de que mesmo que sejamos da classe média, ou da alta, há gente sem uma habitação decente. Devemos ficar cientes de que enquanto estamos parados, alguém está se mexendo em nosso lugar.

Onde foi que aprendi sobre liberdade

Noorjahan Akbar

Por Noorjahan Akbar – Ativista pelos direitos das mulheres afegãs, cofundadora da organização Young Women for Change, autora do UN Dispatch e correspondente afegã para o A Safe World for Women.

A maior parte do meu trabalho e dos meus textos está focada nas atrocidades e injustiças cometidas contra mulheres no Afeganistão, mas, neste blog, eu gostaria de discutir sobre outro tipo de injustiça.
Recentemente, uma jornalista estadunidense me enviou uma versão preliminar de seu artigo sobre meu trabalho, para edição. Em um parágrafo ao longo do texto, ela afirmava que eu tinha tido a rara oportunidade de receber uma educação e uma formação escolar nos Estados Unidos da América, e que essa experiência de liberdade me garantiu a possibilidade de nunca sofrer injustiças novamente. Nessa frase, eu notei várias concepções que ela fazia da minha pessoa e de minha cultura, e o contraste em relação à cultura dos Estados Unidos, algo que se reflete muito na literatura produzida neste campo.
Muitos dos textos sobre ativistas afegãs que lutam pelos direitos das mulheres se baseiam na concepção de que nós, mulheres afegãs, aprendemos sobre liberdade e igualdade quando vamos para países que não são nossas pátrias e nossas culturas, e no meu caso particular, acredita-se que o fato de eu ter estudado nos Estados Unidos me trouxe um gostinho de liberdade e me levou a lutar contra a injustiça. Acredita-se na ideia de que eu era uma oprimida e, consequentemente, mera vítima no Afeganistão, e que, se não fosse pelo tempo que passei nos Estados Unidos, eu não teria me transformado em uma ativista pelos direitos das mulheres.
Esse monopólio dos valores universais tem muitas consequências negativas. Ele contribui para uma visão binária do mundo, em que metade das pessoas é “progressista” e “civilizada” e o restante, desprovido dessas características e desses valores. Além disso, esse tipo de literatura ajuda a construir o discurso usado para deslegitimar as ativistas afegãs como mulheres “ocidentalizadas”. A ideia de que eu ou outras ativistas aprendemos sobre a liberdade nos Estados Unidos se torna, assim, uma faca de dois gumes usada para nos rotular, tanto aqui no Ocidente quanto em nossos países. A ideia de que liberdade ou liberação são conceitos unicamente estadunidenses, ou ocidentais, e de que, consequentemente, nós aprendemos sobre liberdade na América (já que nossas culturas somente nos oprimem e não há possibilidade de liberação em nossa terra natal) é absurda.
Eu não aprendi sobre liberdade na América.
Eu aprendi sobre liberdade com meus pais. Quando eu tinha seis anos, eles decidiram que não queriam viver sob o regime do Talibã e queriam educar suas filhas livremente. Eles abandonaram toda a vida que haviam construído, tudo o que haviam feito durante suas vidas, para serem livres.
Eu aprendi sobre liberdade com minha tia. Quando estava com quarenta anos, ela decidiu aprender sozinha a ler e escrever, para ser mais independente. Ela permitiu que sua única filha viajasse milhares de quilômetros para que pudesse ter uma formação escolar e ser livre.
Eu aprendi sobre liberdade com as mulheres do meu país, que cantam sobre ser livre em dúzias de idiomas e dialetos, e que contam às suas filhas histórias de liberdade.
Eu aprendi sobre liberdade com prisioneiras políticas afegãs, jornalistas e escritoras, que preferem a prisão ao silêncio e à opressão.
Eu aprendi sobre liberdade com um soldado do Exército Nacional Afegão, que conheci no ano passado. O nome dele é Nadeem e ele arrisca sua vida todos os dias, não por causa dos 150 dólares que ele recebe como salário, mas para libertar seu país do radicalismo.
Eu aprendi sobre liberdade com a poesia de Rabia Balkhi, uma princesa que conseguiu abalar a divisão de classes e a discriminação sexual ao se atrever a amar um escravo, e que foi assassinada por querer ser livre para amar quem ela escolhesse.
Eu aprendi sobre liberdade com Merman Parwin, que rompeu com tradições opressivas ao se tornar a primeira mulher a cantar em uma rádio afegã.
Eu aprendi sobre liberdade com Batool Muradi, que foi acusada de adultério por seu marido, o que pode ter sérias consequências, mas decidiu não ficar calada.
Não. Eu não aprendi sobre liberdade na América. A ânsia por liberdade não é algo ocidental, e a concepção de liberação não é algo inventado no Ocidente, não é algo que eu só poderia conhecer nos Estados Unidos. A liberdade está no meu sangue, e no sangue de milhões de mulheres e homens que nunca estiveram nos Estados Unidos, mas que sabem que, sendo seres humanos, merecem ter o direito de respirar o ar puro e ter opiniões, sem medo de serem condenados por isso. Sendo um país cujos fundadores eram senhores de escravos, um país com séculos de escravidão e segregação, mentalidade colonial e imperialista, além de altos números de negros em suas prisões, os Estados Unidos não poderiam ser minha inspiração para lutar por liberdade.
Young Women for Change, organização criada por Noorjahan Akbar e Anita Haidary em prol dos direitos das mulheres afegãs
As mulheres do Young Women for Change

Felicidade segundo Utopia

Utopia (1516), de Thomas More é um dos livros mais falados e importantes da filosofia e política ocidental. Com certeza você deve ter ouvido falar dele nas aulas de Filosofia e História e foi ele que eu li esses dias.

O livro descreve uma ilha perfeita (utopia vem do grego utopos, que significa “lugar que não existe”), onde se vive um comunismo impossível e confesso que muitas vezes fiquei indignado por ver certas coisas impossíveis funcionando.

O que fez o livro se tornar tão famoso e importante, porém, foi a critica à política absolutista. Muitos trechos se aplicam inclusive ao regime “democrático” do mundo atual. E, como sempre digo aqui no blog, é uma importante leitura também para mudar atitudes individuais (estas incluem lutar por uma política mais justa). Uma coisa bem legal que vi nesse livro foi a visão sobre felicidade e é nisso que vou trabalhar o resto do post.

Nós somos acostumados a achar que consumir dá felicidade, que conseguir determinada coisa dará felicidade, mas se eu perguntar quem conseguiu felicidade com isso, a resposta será “ninguém”.

Segundo os utopianos a felicidade vem através de prazeres bons e honestos. Ou seja, coisas “prazerosas”, como o uso de drogas e bebidas, que na verdade fazem muito mal para o corpo, não são prazeres verdadeiros. E segundo eles, existem dois tipos de prazeres: mentais e corporais.

Prazer mental é a descoberta de algo novo, o estudo e etc.

Prazer corporal é uma sensação imediata de prazer, uma descarga de excesso, contemplar obras de arte ou simplesmente ter o organismo em um funcionamento regular.

Porém, só assim podemos ser felizes? Eu creio que os utopianos têm uma visão boa sobre felicidade, mas também podemos ser felizes em meio a doença. Felicidade é atitude. Mesmo tudo dando errado, eu posso ser feliz.

Parece impossível? Não é. Pode ser difícil no começo, mas é completamente possível. Seja feliz por atitude e eu garanto que sua vida vai mudar para infinitamente melhor.

Compre o livro: Livraria Cultura, Kobo, Kindle (de graça!).