Criança é apenas um adulto mais novo

O título parece ser óbvio e algo que falo muito é sobre a importância do óbvio. Mas embora pareça, ele não é.

Sempre achamos que a criança é um ‘ainda-não’, como disse a Profª. Dra. Ângela Nobre Andrade, da Universidade Federal do Espírito Santo. Segundo ela, “Esta moratória infantil remete a criança para o lugar de objeto em um processo macrossocial encaminhado a uma futura sociedade ideal.
A ‘infantilização’ da criança
surgiu no século XVIII através de políticas adotadas pelo Estado, com ajuda da psicologia, que segundo Jens Qvortrup, “[…] tem tido enorme importância em definir a criança, traz implícita uma espécie de intencionalidade que equivale a dizer, de forma um tanto polêmica, que o objetivo final da psicologia é curar as crianças de suas infâncias”. Há algum tempo e em outras sociedades, a criança era considerada independente e igual aos adultos pouco após o desmame. Depois, “Passou-se a admitir que a criança não estava madura para a vida, e que era preciso submetê-la a um regime especial, a uma espécie de quarentena antes de deixá-la unir-se aos adultos” (Ariès, 1988, p. 277).
Isso tudo tem grandes consequências. Além de se sustentar a vontade do governo, “O longo período de escolarização, e como consequência, a dependência dos jovens de seus pais tende a destruir e asfixiar o potencial espontâneo, criativo e inovador de uma população infantil cada vez mais reduzida” (Wintersberger, 1992).
Precisamos rever nossos modelos de adequado e aceitar opiniões diferentes da dominante. Ângela Nobre Andrade trabalha isso dizendo: “Algumas pessoas pensam e criam outros modos de estar no mundo. Manifestam esses modos em ações, que são mais ou menos acolhidas, conforme o grau de ameaça aos padrões dominantes em determinados contextos. Se a ameaça é grande, são considerados loucos e excluídos do convívio social. Trata-se da des-razão.”
As crianças são surpreendentes, elas abordam tudo de forma incrível e fora dos nossos padrões. Ao invés de falarmos que elas não estão prontas para a sociedade, de dizer que elas não estão certas (mania narcisista de que o erro é sempre dos outros), que passemos a considerá-las como pessoas iguais a nós, pois elas são parte do mundo tanto quanto nós.
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