Racismo: do surgimento ao combate

“O que nos parece indiscutível é que, se pretendemos a libertação dos homens, não podemos começar por aliená-los ou mantê-los alienados. A libertação autêntica, que é a humanização em processo, não é uma coisa que se deposita nos homens. Não é uma palavra a mais, oca, mitificante. É práxis, que implica a ação e a reflexão dos homens sobre o mundo para transformá-lo.” (Paulo Freire)

Definição e Surgimento

O racismo consiste em caracterizar um conjunto humano pelos atributos naturais, eles próprios associados às características intelectuais e morais que valem para cada indivíduo dependente desse conjunto e, a partir disso, pôr eventualmente em execução práticas de inferiorização” (Ricardo Festi)
“Racismo é a convicção de que existe uma relação entre as características físicas hereditárias, como a cor da pele, e determinados traços de caráter e inteligência ou manifestações culturais.” (Márcia Regina Argente)

O termo racismo surgiu por volta da segunda e terceira década do século XX, mas é durante o século XXI, após a Segunda Guerra Mundial que essa ideologia se consolida.
Quando de fato o racismo surgiu é difícil de se dizer, talvez ele seja algo novo, mas não temos como ter certeza.
Durante a escravidão no Brasil, os europeus (cristãos) tiveram um grande dilema: se nós somos todos criaturas de Deus, por que escravizamos os negros? A resposta dada foi: os negros são inferiores a nós, eles nasceram para ser escravos.

O racismo no Brasil tem como origens históricas: a escravidão no período colonial, marginalização dos ex-escravos, Lei da terra, política de branqueamento e imigração europeia.
Com essas origens históricas, dá para se ter em mente como ele se consolidou.

Manifestações do racismo

O racismo tem três formas de manifestação:

1- Racismo científico (negros inferiores devido à genética e posição geográfica da África);

2- Racismo institucional (racismo como problema socioeconômico);

3- Racismo cultural (negros inferiores devido à sua cultura).
O primeiro e último tópico são claramente falácias, basta estudar um pouco de biologia e cultura. O que ocorre no Brasil atualmente é, sem dúvida, o racismo institucional.
Alex Castro disse, com sarcasmo: “Oras, racismo Éum problema socioeconômico. O que mais vocês acham que o racismo é, meu deus? Um problema literário? Um problema culinário?”

Provas da existência do racismo no Brasil

“Se os negros são 40% da população do Brasil mas somente 5% dos médicos (números chutados), só existem duas explicações: ou os negros são mais burros e não conseguem se formar médicos [racismo científico], ou o Brasil é um país racista, onde toda uma estrutura, desde a saúde até o ensino, funciona no sentido de barrar seu acesso dos negros à essa (e outras) carreiras de prestígio [racismo institucional].”
“Sinceramente, se o fato da polícia parar mais negros do que brancos por já presumir que os negros tem mais chance de serem criminosos não é o maior indicador de que o Brasil é um país racista, então eu não sei o que mais pode ser.” (Alex Castro)

Alguns dados para mostrar a existência do racismo:

– Entre os 10% mais pobres da população, 65% são negros (IBGE/2007)
– Brancos ganham até 40% a mais do que negros da mesma faixa de escolaridade (IBGE/2007)
– Renda domiciliar per capita (média): Negro – R$ 417,23; Branco – R$ 950,46
– 91% dos jovens negros do estado de SP já foram abordados pela polícia (Data folha/2004)

“Não é preciso muitos dados e gráficos. Se você chega numa cadeia ou no fórum, e todos os juízes e advogados são brancos, e todos os réus são negros; se você chega num hospital, e todos os médicos são brancos, mas todos os faxineiros são negros; se você chega numa empresa e toda a diretoria é branca, mas a moça do café e o rapaz da xerox e o ascensorista são negros; então esse é um país racista.”

“O racismo brasileiro é pior que o americano justamente por ser hegemônico e, portanto, invisível. Nos EUA, o discurso da racismo era escancarado e o seu contra-discurso também. No Brasil, o racismo é tão hegemônico e naturalizado que ele nem precisa de um discurso racista para se manter. Na verdade, ele se mantém melhor por não ter esse discurso. A falta do discurso racista torna as práticas racistas invisíveis (mas não menos opressivas) e tiram a legitimidade de qualquer contra-discurso: ‘Do que você está reclamando, meu filho? Pare de criar caso… O Brasil não é racista, nunca tivemos leis segregacionais, VOCÊ é que está sendo racista de falar nisso…’” (Alex Castro)

Como combater o racismo

Ensine às crianças o respeito à diferença. Tire da sua mente o pensamento nazista e tolo de superioridade branca, de que os negros não têm capacidade para ganhar mais, para entrar em uma universidade e debata o assunto com a sua família e amigos.
Não coloque a culpa do racismo no fato de alguém ser negro, não faça o indivíduo se sentir culpado. O problema é uma construção social preconceituosa e sem nexo.

Valorize a história e cultura africanas. Elas fazem parte de nossa cultura, estude-a e incentive os outros a fazerem o mesmo.

Denuncie o racismo e apoie quem o sofreu.

Existem muitas outras formas de se combater o racismo, mas fazendo isso, já estará ajudando muito.

“Em uma sociedade racista e desigual como o Brasil, afirmar não ver raça, não ligar pra raça, que raças não existem, que isso não tem importância, ‘que besteira você se importar com isso’, etc, significa na prática tomar partido racialmente ao se aliar com a hegemonia invisível que ‘precisa’ desse tipo de negação para sobreviver e prosperar. Não existe neutralidade possível: negar raça já é uma afirmação política que te coloca em um dos lados bem definidos de uma briga antiga. Negar raça já é intrinsecamente racista.” (Alex Castro)

Há também muitas coisas para se falar sobre o racismo, mas o mais importante é saber o que é, como surgiu, como ele se manifesta, provar sua existência e saber como combatê-lo.

 

 
(Retirado de aruasetima.wordpress.com)
 
 
(O jantar, de J. Baptiste Debret)
 
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