Melhor

Quero ser melhor,
mas não preciso ser o melhor.
Sou perfeito?
Creio que não.
Sou o que acredito?
Deveria, senão
serei hipócrita.
Tente ser bom,
seja o que acredita,
mas não precisa ser perfeito
para alcançar respeito.

Desejo

Desejo saber: será que o que escrevo será lido e apreciado por alguém? Eu escrevo porque me sinto bem escrevendo. Ponho pra fora o que está aqui dentro. Só que eu quero compartilhar isso com a maior quantidade de pessoas que eu puder. Quero escrever palavras sábias e quero que as pessoas vejam sabedoria nelas, porque se elas o fizerem, também estarão sendo sábias. Desejo um mundo em que os sábios sejam mais valorizado que os tolos.

Adair Neto

"E agora, José?" – A situação da Palestina

Segundo os dados, em Gaza já morreram mais de 100 pessoas e em Israel, cerca de 5. Como explicar isso? Israel é o malvado da história? Uns dizem que Israel está com a razão, outros dizem que é a Palestina. Mas o que realmente está acontecendo?

Os israelitas dizem que os mísseis lançados por eles à Gaza são só uma resposta aos mais de mil mísseis lançados pelo Hamas desde o começo do ano. “O grande número de mortes em Gaza se dá pelo fato de o Hamas utilizar a população palestina como escudo humano. O povo palestino é refém dos terroristas”, dizem eles. Mas isso levanta duas questões: por que o Hamas quer tanto destruir Israel? O que ele ganha com isso? Provavelmente o ódio aos judeus e a terra de volta.

Mahdi Abdul Hadi, acadêmico palestino, diz que a violência foi iniciada por Israel, com o assassinato de Ahmed Jabari, chefe da ala militar do Hamas, que negociou trégua entre Israel e Gaza. Para ele, o primeiro-ministro israelense quer se fortalecer para as eleições, demonstrar o potencial militar de Israel e ganhar apoio dos Estados Unidos e da Europa. Aqui vale lembrar que o último conflito se deu na eleição passada de Israel.

O Hamas se define como um movimento de resistência palestino, não reconhece o Estado de Israel e prega a criação de um Estado palestino islâmico. O movimento criou uma vasta rede de assistência social em Gaza e na Cisjordânia, criando hospitais, escolas, bibliotecas e outros serviços.
Diante disso há um grande dilema: quem está certo? Creio que Israel está errado em fazer mal a tantos civis, e em invadir o território palestino. E o Hamas – não a população palestina – está errado em ser tão extremista e anti-semitista. Mas como conciliar os dois? Israel é anti-islâmico, o Hamas é anti-semitista e a população palestina sofre por causa desse conflito. O dilema continua e então me pergunto: “E agora, José?”*

*Frase de Carlos Drummond de Andrade

 
Imagens retiradas de:

http://www.facebook.com/pals2011

Criança é apenas um adulto mais novo

O título parece ser óbvio e algo que falo muito é sobre a importância do óbvio. Mas embora pareça, ele não é.

Sempre achamos que a criança é um ‘ainda-não’, como disse a Profª. Dra. Ângela Nobre Andrade, da Universidade Federal do Espírito Santo. Segundo ela, “Esta moratória infantil remete a criança para o lugar de objeto em um processo macrossocial encaminhado a uma futura sociedade ideal.
A ‘infantilização’ da criança
surgiu no século XVIII através de políticas adotadas pelo Estado, com ajuda da psicologia, que segundo Jens Qvortrup, “[…] tem tido enorme importância em definir a criança, traz implícita uma espécie de intencionalidade que equivale a dizer, de forma um tanto polêmica, que o objetivo final da psicologia é curar as crianças de suas infâncias”. Há algum tempo e em outras sociedades, a criança era considerada independente e igual aos adultos pouco após o desmame. Depois, “Passou-se a admitir que a criança não estava madura para a vida, e que era preciso submetê-la a um regime especial, a uma espécie de quarentena antes de deixá-la unir-se aos adultos” (Ariès, 1988, p. 277).
Isso tudo tem grandes consequências. Além de se sustentar a vontade do governo, “O longo período de escolarização, e como consequência, a dependência dos jovens de seus pais tende a destruir e asfixiar o potencial espontâneo, criativo e inovador de uma população infantil cada vez mais reduzida” (Wintersberger, 1992).
Precisamos rever nossos modelos de adequado e aceitar opiniões diferentes da dominante. Ângela Nobre Andrade trabalha isso dizendo: “Algumas pessoas pensam e criam outros modos de estar no mundo. Manifestam esses modos em ações, que são mais ou menos acolhidas, conforme o grau de ameaça aos padrões dominantes em determinados contextos. Se a ameaça é grande, são considerados loucos e excluídos do convívio social. Trata-se da des-razão.”
As crianças são surpreendentes, elas abordam tudo de forma incrível e fora dos nossos padrões. Ao invés de falarmos que elas não estão prontas para a sociedade, de dizer que elas não estão certas (mania narcisista de que o erro é sempre dos outros), que passemos a considerá-las como pessoas iguais a nós, pois elas são parte do mundo tanto quanto nós.

Sobre a aplicabilidade e alegoria

É óbvio que nem tudo que é escrito tem como objetivo criticar algo ou tentar mostrar algo melhor, mas de um escrito pode se tirar aplicações. Isto é aplicabilidade, a qualidade de um texto (não necessariamente alegórico) para se aplicar a alguma coisa. Alegoria é fazer algo se referindo a outra coisa.
Se O Senhor dos Anéis, por exemplo, tivesse sido escrito como uma crítica à sociedade ou algo do gênero, ele seria uma alegoria. Porém, J.R.R. Tolkien disse que não o escreveu por esse motivo. Ele apenas queria criar uma história. O Senhor dos Anéis – e O Hobbit – tem uma grande aplicabilidade, pois podemos pegar esse livro para pensar algo diferente na realidade.
Gosto muito mais de histórias, verdadeiras ou inventadas, com sua aplicabilidade variada ao pensamento e à experiência dos leitores. Acho que muitos confundem ‘aplicabilidade’ com ‘alegoria’; mas a primeira reside na liberdade do leitor, e a segunda na dominação proposital do autor.” (J.R.R. Tolkien)
O tema é bem falado. Estou postando isso porque eu tive um obviously insight: saber o que é aplicabilidade e alegoria nos ajuda muito a saber como melhorar o mundo e como “roubar” ideias para tal feito.